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Presidente do Haiti é assassinado a tiros em casa

Premiê interino diz que ‘um grupo de indivíduos não identificados, alguns dos quais falavam em espanhol, atacou a residência privada do presidente’ e ‘feriu mortalmente o chefe de Estado’.

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Fotos: Retamal de Hector/AFP e Amanda Paes/G1

O presidente do Haiti, Jovenel Moise, foi morto em um ataque a tiros em sua casa, na capital Porto Príncipe, na madrugada desta quarta-feira (7), anunciou o primeiro-ministro interino do país, Claude Joseph.

A primeira-dama, Martine Moise, levou um tiro e foi hospitalizada. O embaixador do Haiti nos Estados Unidos, Bocchit Edmond, disse em entrevista coletiva que comandava os esforços necessários para levar Martine a Miami onde deve ser tratada dos ferimentos.

O G1 chegou a noticiar mais cedo que Martine teria morrido após a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), órgão ligado à OEA, emitir nota lamentando a morte da primeira-dama. Horas depois a comissão corrigiu esta informação.

Joseph afirmou em comunicado que o assassinato de Moise foi um “ato odioso, desumano e bárbaro”. “Um grupo de indivíduos não identificados, alguns dos quais falavam em espanhol, atacou a residência privada do presidente da República” por volta da 1h e “feriu mortalmente o chefe de Estado”.

À noite, pessoas consideradas suspeitas de participarem do assassinatos foram detidos, informou a agência France Presse citando a Secretaria de Estado. Não há informação sobre quem são esses detidos e quantos são.

As línguas oficiais do país, que vive grave crise política, econômica e social, são o francês e o crioulo haitiano.

Ele pediu à população “que se acalme” e afirmou que “a situação da segurança no país está sob o controle da Polícia Nacional haitiana e das Forças Armadas do Haiti”. “Todas as medidas estão sendo tomadas para garantir a continuidade do Estado e proteger a nação”.

Horas depois, o premiê interino decretou estado de emergência no país. Ainda não está claro quem vai assumir a presidência do Haiti, pois:

. Joseph não chegou a ser oficializado no cargo de primeiro-ministro, por isso ocupa o posto interinamente;

. O presidente da Suprema Corte, que poderia assumir a Presidência, segundo a Constituição, morreu de Covid-19 no mês passado e ainda não foi substituído.

O presidente do Haiti, Jovenel Moise, em uma cerimônia em 2018 — Foto: Dieu Nalio Chery/AP

Crise política
O Haiti vive uma grave crise política, econômica e social. Jovenel Moise dissolveu o Parlamento e governava por decreto há mais de um ano, após o país não conseguir realizar eleições legislativas, e queria promover uma polêmica reforma constitucional.

A oposição o acusava de tentar aumentar seu poder, inclusive com um decreto que limitava os poderes de um tribunal que fiscaliza contratos governamentais e outro que criava uma agência de inteligência que respondia apenas ao presidente.

Ele dizia que ficaria no cargo até 7 de fevereiro de 2022, em uma interpretação da Constituição rejeitada pela oposição. Para eles, o mandato do presidente havia terminado em 7 de fevereiro deste ano.

Em fevereiro, autoridades do país disseram ter frustrado uma “tentativa de golpe” de Estado contra o presidente, que também seria alvo de um atentado malsucedido.

Mais de 20 pessoas foram presas na ocasião, inclusive um juiz federal do Tribunal de Cassação e a inspetora-geral da Polícia Nacional.

Problemas desde a eleição
A disputa sobre o fim do mandato era consequência da primeira eleição de Moise. Ele foi eleito em outubro de 2015 para um mandato de cinco anos, em um pleito cancelado por fraudes, venceu uma nova disputa no ano seguinte e tomou posse apenas em 2017.

Moise foi eleito com 600 mil votos em um país com 11,3 milhões de habitantes. Pouco conhecido antes das eleições, ele conseguiu vencer com o apoio do ex-presidente Michel Martelly.

Eleições legislativas e municipais estavam agendadas para ocorrer neste ano, mas foram adiadas para 2022. Com o vácuo de poder, Moise manteve a posição de continuar no cargo por mais um ano, apesar das críticas da oposição.

Pobreza extrema
O Haiti é a nação mais pobre das Américas e tem um longo histórico de ditaduras e golpes de Estado. Nos últimos meses, enfrentava uma crescente crise política e humanitária, com escassez de alimentos e violência nas ruas.

O PIB per capita do país é de US$ 1,6 mil por ano (cerca de R$ 8,5 mil), e cerca de 60% da população vive com menos de US$ 2 por dia (pouco mais de R$ 10).

O Haiti tem 11,3 milhões de habitantes, faz fronteira com a República Dominicana na ilha Hispaniola, no Caribe, e tem um dos menores IDHs (Índice de Desenvolvimento Humano) do mundo: 0,51.

Colonizado em 1492, após a chegada de Cristóvão Colombo à América, o Haiti foi o primeiro país do continente a conquistar a sua independência e a primeira república a ser liderada por negros, quando derrubou o domínio francês no começo do século XIX.

O país já foi invadido e sofreu intervenção dos EUA no século XX e tem um longo histórico de ditadores, como François “Papa Doc” Duvalier e seu filho, Jean-Claude “Baby Doc”. A primeira eleição livre do país ocorreu em 1990, mas Jean-Bertrand Aristide foi deposto por um golpe no ano seguinte.

Fonte: https://www.globo.com/mundo

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Terremotos matam 20 e ferem mais de 200 no Paquistão

Tremores de magnitudes 5,7 e 4,6 foram registrados perto de Quetta, onde vivem cerca de 1 milhão de pessoas. Mais de 100 casas feitas de barro desabaram.

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Fotos: AP Photo, Arshad Butt/AP Photo e G1 Mundo

Dois terremotos consecutivos atingiram sul do Paquistão nesta quinta-feira (7) (noite de quarta no horário de Brasília).

O número de mortos chegou a 20, mas as autoridades paquistanesas temem que o número aumente porque mais de 100 casas feitas de barro e terra batida desabaram. Por isso, estima-se que centenas estejam desabrigados. As vítimas eram, na maioria, mulheres e crianças (ao menos seis), informaram socorristas.

Segundo autoridades, mais de 200 pessoas ficaram feridas após os sismos, dentre elas 40 em estado grave.

De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), que monitora atividade sísmica no mundo inteiro, o primeiro terremoto teve magnitude 5,7 e epicentro a 20 km de profundidade — considerada muito próxima do nível do solo, o que amplifica a capacidade de o fenômeno causar estragos.

Em seguida, um outro tremor, com epicentro na mesma localidade, foi registrado com magnitude 4,6, mas a 10 km de profundidade: ou seja, ainda mais perto do solo e portanto ainda mais capaz de causar destruição.

Esses epicentros estavam muito perto da cidade de Quetta, na província do Baloquistão. Lá, vivem cerca de 1 milhão de habitantes, muitos deles em construções precárias. Em 1935, a mesma cidade foi atingida por um forte e devastador tremor, que matou mais de 30 mil.

A área mais atingida foi a remota cidade montanhosa de Harnai, onde a falta de estradas pavimentadas, eletricidade e cobertura móvel dificultam o resgate.

Os terremotos também provocaram apagões que obrigaram as equipes de resgate a usar lanternas para tratar feridos.

Fonte: https://g1.globo.com/mundo

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Lava do vulcão Cumbre Vieja toca o mar nas Canárias

Preocupação é pela liberação de gases tóxicos com o rápido resfriamento da rocha derretida ao tocar a água.

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Fotos: Nacho Doce e Jon Nazca /Reuters e Arte G1

A lava do vulcão Cumbre Vieja tocou nesta terça-feira (28) o mar do Atlântico, informou o Instituto Vulcanológico das Canárias (Involcan) em um comunicado. O vulcão entrou em erupção no domingo (19) e desde então deixou um rastro de destruição no arquipélago espanhol.

Especialistas alertam que o rápido resfriamento da lava ao entrar em contato com a água do oceano é preocupante, porque pode liberar gases tóxicos, carregados de ácido clorídrico. Não há, até o momento, o registro de mortos ou feridos por decorrência da atividade vulcânica na ilha.

Segundo a Defesa Civil, mais de 6 mil pessoas precisaram deixar suas casas. Mais de 600 construções, além de cerca de 20km de ruas e estradas foram atingidos pela lava que escorre há dez dias. Imagens feitas com um drone revelam a destruição na ilha. Veja video.

Mais cedo, o governo da Espanha declarou que a área do vulcão em erupção na ilha de La Palma, nas Canárias, é uma “zona de catástrofe”, com isso, o país vai destinar 10,5 milhões de euros (cerca de R$ 67 milhões) para medidas urgentes de moradia e ajuda aos desalojados.

O Instituto Geográfico Nacional (IGN) da Espanha voltou a emitir um alerta para novas explosões após o vulcão de Cumbre Vieja reduzir sua atividade nesta segunda-feira (27). Segundo o órgão do governo espanhol, a nuvem de cinzas alcançou os 7.000 metros.

“O IGN continua acompanhando a atividade e reforçou sua presença na ilha”, disse o instituto em nota.

Ilhas Canárias
As Canárias são um território espanhol no Oceano Atlântico, um arquipélago formado por oito ilhas. La Palma é uma delas e tem cerca de 83 mil habitantes.

Fonte: https://g1.globo.com/mundo

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Pedro Castillo é declarado presidente eleito do Peru mais de 1 mês após eleição presidencial

Justiça peruana oficializou vitória do candidato da esquerda após rejeitar os questionamentos feitos pela candidatura de Keiko Fujimori, derrotada pela terceira vez consecutiva.

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Fotos: AP Photo/Guadalupe Prado, Alessandro Cinque e Sebastian Castaneda/Reuters

O esquerdista Pedro Castillo foi enfim declarado nesta segunda-feira (19) vencedor das eleições presidenciais peruanas e é, portanto, presidente eleito do Peru.

O Jurado Nacional de Eleições, órgão responsável pelo processo eleitoral do país, oficializou a vitória do candidato do partido Peru Livre sobre a direitista Keiko Fujimori mais de um mês depois do segundo turno. A posse está prevista para 28 de julho.

Keiko só disse nesta segunda, horas antes da proclamação do resultado, que reconheceria a vitória do adversário, mas manteve o tom duro: “Nossa defesa da democracia não termina com a proclamação ilegítima de Castillo”, criticou.

Castillo surpreendeu logo no primeiro turno, ao superar figuras tradicionais da política peruana em uma eleição bastante embolada. No segundo turno, ele enfrentaria Keiko Fujimori — herdeira do fujimorismo, corrente política de linha dura que dominou o Peru na década de 1990. A adversária disputaria a presidência pela terceira vez consecutiva.

Em 6 de junho, dia da votação, foi impossível declarar um vencedor. A apuração mostrava margens minúsculas de diferença entre os dois candidatos. Ao fim, Castillo terminou na frente com uma diferença de 44 mil votos, mas Keiko se recusou a aceitar o resultado, acusou o adversário de fraude e entrou com processos na justiça eleitoral.

O esquerdista Pedro Castillo e a direitista Keiko Fujimori disputaram o segundo turno da eleição presidencial no Peru — Foto: Ernesto Benevides/AFP e Gian Masko/AFP

Nenhum desses questionamentos, porém, foi bem sucedido. Houve até um pedido de demissão por parte de um dos componentes do Júri Eleitoral para tentar atrasar o processo, mas a vaga logo foi preenchida e a manobra, criticada. Manifestantes dos dois lados foram às ruas em Lima e outras partes do país para pedir respeito ao voto.

Finalmente, na tarde de 12 de julho, o Júri Nacional terminou a análise de todos os questionamentos feitos por Keiko e seus partidários, abrindo caminho para a oficialização da vitória de Castillo.

Quem é Pedro Castillo

Castillo, de 51 anos, foi uma grande surpresa no primeiro turno das eleições presidenciais no Peru, um país com eleitores profundamente decepcionados com seus políticos tradicionais.

O presidente eleito ficou conhecido no cenário nacional em 2017, após liderar uma greve de professores de quase três meses exigindo aumento de salários dos professores. Na campanha, ele prometeu um aumento para professores públicos.

Castillo chegou a prometer no início da campanha desativar o Tribunal Constitucional e dizia que a Suprema Corte do país defendia a “grande corrupção”. Ele também ameaçou fechar o Congresso se os parlamentares não aceitarem seus planos.

Ao longo da corrida presidencial, no entanto, Castillo mudou de tom e prometeu seguir a Constituição “enquanto ela estiver em vigor”, mas disse que buscará uma nova Assembleia Constituinte caso seja eleito.

Em relação aos costumes, Castillo adota postura mais conservadora: ele se recusa a legalizar o aborto, é contra o “enfoque de gênero” na educação e tem relutado em reconhecer os direitos de minorias sexuais. Depois das eleições, ele declarou que não é comunista — em resposta a uma das alegações feitas pelos fujimoristas.

O novo presidente peruano nasceu na pequena cidade andina de Puña, na província de Chota, onde os moradores costumam usar chapéu de aba larga, como Castillo usava em suas viagens e até mesmo no único debate presidencial realizado nesta campanha. Também dirigente sindical, ele foi votar a cavalo na região andina de Cajamarca, onde reside.

Fonte: https://g1.globo.com/mundo/

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